Manifesto em defesa do ensino presencial na Medicina Veterinária e na Zootecnia
Por: Ascom
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Tocantins e Conselho Federal de Medicina Veterinária, juntamente com representantes das instituições de ensino superior, membros da Comissão Estadual de Educação em Medicina Veterinária e profissionais comprometidos com a qualidade da formação acadêmica, manifestam publicamente seu posicionamento em defesa do ensino presencial nos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia.
A Medicina Veterinária e a Zootecnia constituem profissões de elevada complexidade técnica, científica e social, cujas formações exigem vivência prática contínua, acompanhamento pedagógico presencial e integração permanente entre teoria e prática. A construção das competências profissionais indispensáveis ao exercício dessas profissões demanda participação efetiva dos estudantes em atividades laboratoriais, clínicas, cirúrgicas, hospitalares, zootécnicas e de campo, além do contato direto com animais, equipes multiprofissionais, sistemas produtivos e situações reais de atuação profissional.
No âmbito da Medicina Veterinária, a formação profissional está diretamente relacionada à promoção da saúde animal, à saúde pública, à segurança alimentar, à inspeção e tecnologia de produtos de origem animal, ao controle de zoonoses e ao bem-estar animal. Tais atribuições exigem elevado rigor técnico-científico e experiências práticas supervisionadas, indispensáveis para o desenvolvimento do raciocínio clínico, da tomada de decisão e da responsabilidade ética profissional.
Da mesma forma, a Zootecnia exige sólida formação prática voltada ao manejo animal, nutrição, melhoramento genético, reprodução, ambiência, gestão da produção, sustentabilidade e eficiência dos sistemas produtivos. A atuação do zootecnista está diretamente ligada ao desenvolvimento agropecuário, à produtividade animal, à sustentabilidade ambiental e à segurança alimentar, exigindo competências técnicas construídas por meio de experiências práticas supervisionadas e vivência acadêmica presencial.
O ensino presencial proporciona experiências acadêmicas fundamentais para a consolidação da aprendizagem prática, para o desenvolvimento de competências técnicas e interpessoais e para a formação ética, científica e humanística dos futuros profissionais. A convivência acadêmica, a supervisão direta dos docentes, a execução de práticas laboratoriais, clínicas e de campo, bem como a participação em atividades extensionistas e técnicas, representam elementos essenciais na formação em Medicina Veterinária e Zootecnia.
Diante disso, entende-se que a ampliação de modelos semipresenciais nos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia pode comprometer a integralidade da formação prática e a adequada consolidação das competências profissionais exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais e pelas demandas técnicas e sociais inerentes às profissões.
A defesa do ensino presencial não representa oposição à inovação pedagógica ou ao uso de tecnologias educacionais, mas sim o reconhecimento de que a formação nas áreas da Medicina Veterinária e da Zootecnia exige presencialidade como elemento estruturante do processo formativo, especialmente nas atividades práticas, laboratoriais, clínicas e de campo.
Assim, este manifesto reafirma o compromisso com uma educação superior de qualidade, ética, científica e socialmente responsável, em favor da valorização da Medicina Veterinária e da Zootecnia, da proteção da sociedade e da formação de profissionais plenamente capacitados para o exercício de suas atribuições.
São apoiadoras desse manifesto as seguintes instituições: Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica), Universidade Federal do Tocantins – Campus Gurupi (UFT), Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Centro Universitário Unitop, e Faculdade de Ciências do Tocantins (FACIT).
Palmas – TO, 18 de maio de 2026.
